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quinta-feira, janeiro 12

Rosas e Vinhos

Parte II
Para quem não leu ainda a Parte I Clique aqui.


Já era o fim do pôr-do-sol e as primeiras estrelas começavam a enfeitar o céu. Guiados por passos curtos eu o observava enquanto ele falava de vários supositórios que puderam ter me levado a ele. Aquele estilo social despojado, e um sorriso que não se fechava nunca, contracenavam com o encantador brilho do seu olhar. Era estranho como eu já me sentia uma velha conhecida dele. Mas ainda não sabia o seu nome.
Chegamos a outro bar, um pouco menos movimentado e ao invés de vozes e gargalhadas ouvia-se uma suave melodia, como aquelas que servem de plano de fundo para conversas apaixonadas. Sentamos e logo apareceu o garçom que utilizou-se de uma pergunta breve como se já soubesse a resposta.  – Vinho? Olhou pra mim e perguntou se eu concordava. – Claro. Usei-me de uma afirmativa óbvia, sem decisões quando não se tem escolhas. Depois que fomos servidos, olhamos um para o outro e não contivemos surpresos por uma risada de não sei o que, e imagino que ele também não sabia.
– Eu sou mesmo desastrado. Primeiro me esbarro em você, convido-a para tomar algo e até agora não sei o seu nome.
- Me chamo Júlia, mas tem algum problema com o convite?
- Por que teria... Bom meu nome é Eduardo.
“Por que teria?” Se tem porquê é porque teria. E qual seria esse problema? Nessa hora milhares de coisas passaram na minha cabeça, porque realmente eu estava ali?
- Está gostando do vinho?
- O vinho? Ah sim, é realmente muito bom. Você vem sempre aqui?
- Bom, costumo vim aqui às vezes. É um lugar calmo, tranqüilo e eu gosto disso.
- E o que fazia lendo um livro em meio a tanto barulho?
- A verdade é que eu pensei que pudesse ler ali, ou frequentar outros lugares diferentes. Definitivamente ler acho que não foi uma boa ideia.
(risos)
- Você é uma moça muito bonita o que fazia sozinha ali?
- Uma amiga me chamou para sair um pouco, pensei que eu pudesse me distrair, mas, ela ligou dizendo que não dava pra ir mais.
- Chato isso.
Foi então que o telefone dele tocou, e me tocou um pouco pela suposta pessoa que ligava e o duvidoso assunto que falavam. Prefiro não entrar em detalhes agora, continuemos.

- Gosta de rosas Júlia?
- Rosas me encantam e são realmente lindas. São pedacinhos de sentimentos divididos em cores, expressam o que a gente sente sem nenhuma palavra.
- Nossa que interessante. Você sabe bem sobre as flores.
- Que isso, Eduardo. Apenas às admiro e sou apaixonada por elas, desde pequena.
- Qual a que você gosta mais?
- Bom, não tem a que eu gosto mais. Todas são lindas. Diferenciam-se no significado. A vermelha, por exemplo, significa o amor, a paixão; a branca simboliza a pureza e a inocência. Já a cor-de-rosa demonstra admiração, amizade. E a amarela é aquela em que há segundas intenções, malícia. É difícil escolher, rosas são lindas e pronto.
(risos)
-  Você fala de rosas com uma delicadeza incrível, demonstra ser uma mulher muito romântica, além de parecer muito sensível também.
- Obrigada. Mas por quê a curiosidade sobre elas?
Foi então que percebi que eu podia ter deixado essa pergunta escondida em qualquer lugar, morrer de curiosidade seria melhor do que ouvi a resposta que eu tive. E cair das nuvens antes de ter certeza que alguém voava comigo.
- Amanhã eu e minha namorada faremos um ano de namoro. Eu estava desorientado sobre como encontrar algo que eu pudesse trazer junto o com presente que eu vou dá-la. Já havia pensado em flores, mas, achei algo muito comum e depois vendo a maneira como você fala delas eu mudei completamente de ideia.
Naquele momento, despencada feito um galho torto de uma árvore a minha vontade era inventar uma desculpa e sair dali de tão apavorada que eu fiquei. Mas adiantaria alguma coisa? Pelo menos eu encontrei a resposta de porquê que eu estava ali.
- Sério? Que bom que eu pude ajudar...
Depois só se passaram cinco minutos da nossa conversa. Longos e indecifráveis.
A ironia começava a querer se apresentar por toda parte. Eu virara a malvada da história? Na verdade era o que a minha decepção queria, porém não me deixei ser dominada pelo desgosto que me preenchia completamente a cada gole do vinho enquanto ele olhava-me profundamente do outro lado se decidindo quais as cores das flores que mandava a ela.
Enquanto as minhas já estavam na caixinha do correio, e só pra constar: Eram cor-de-rosa.

Evelyn Dias

terça-feira, janeiro 10

Previsão do tempo: Parte VII Sol com algumas pancadas de chuva



E eu vou vivendo assim, nessas oscilações.
Muitas vezes, entre o vento e a tempestade eu me perco indecisa se ainda vai chover. Pode parecer óbvio, mas eu ainda prefiro acreditar que virá o arco-íris.




Evelyn Dias

segunda-feira, janeiro 9

Estranho seria se eu não me apaixonasse por você...


E quando eu te encontrar vai ser tão perfeito, que eu não tenho medo de sonhar tão alto. Porque sei que me levará as nuvens. O arco-íris guiará o nosso caminho depois de tomar banho de chuva feito dois bobinhos apaixonados, vendo de longe o pôr-do-sol. O plano de fundo da nossa felicidade.
Evelyn Dias

sexta-feira, janeiro 6

Rosas e Vinhos

Parte I


Já era chegada o fim de tarde e eu ainda estava sentada naquela mesa de bar. Não era o costume frequentar esses lugares, ainda que não sei como cheguei e fiquei intrigada a sair. Fazia algumas horas que eu estava ali sozinha acompanhada por um turbilhão de vozes e gargalhadas estranhas, uma taça de cerveja que não consegui beber e uma tremenda curiosidade que me levava a observar a mesa ao lado com uma tremenda sede incontrolável. Lá estava ele, como qualquer outro desconhecido. Mas daquela hora em diante era o meu desconhecido. Nada estranho que eu pudesse classificar como o motivo que me chamou a atenção, apesar de está lendo um livro em um lugar tão movimentado ao invés do sossego da sua residência. Eu queria poder chegar até ele e falar de algum assunto, mas não tinha forças ou coragem talvez, suficientes que sustentasse esse meu atrevimento sem a possibilidade de haver falhas. Já estava difícil controlar a curva do meu rosto e o meu olhar disfarçado que mostrava muito mais que um prévio interesse. Foi então que de repente, levantou-se a sair do bar, caminhando em um sentido em que parecia que estava vindo na minha direção. Eu já estava completamente desorientada. Me levantei na tentativa de me esbarrar nele, sem  antes analisar um plano que pudesse estragar todo aquele momento de estudo no ápice do entrosamento. Enquanto eu caminhava, pude senti-lo andando atrás de mim, foi então que me contive sem que ele pudesse antecipar o acidente. Senti o seus braços nos meus braços quando me segurou forte e perguntou se eu estava bem. Esqueci completamente como falava diante da leitura dos seus lábios que me hipnotizavam com seu olhar. Me ergui e pedi desculpas, enquanto ele se culpava por eu tê-lo trazido a mim. Mas isso ele não sabia. Em um ato em que tentava se redimir convidou-me para tomar alguma coisa em outro lugar, sem pensar ou depois de muito pensar em tantas coisas que poderíamos fazer juntos. Aceitei.

 Continua.
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Evelyn Dias

Pequenos pedaços: Bom, a verdade é essa. Não sei como comecei e nem como cheguei até aqui com essa história. Ficaria muito feliz em poder termina-la. Mas não faço ideia do que possa acontecer depois de aceitar um convite de um desconhecido que eu mesma forjei o encontro. Pensei em sorvete, visto que também é algo que se possa tomar. Um chá talvez...rs. Uma formalidade muito gostosa até. Mas saberemos depois. Quando, eu também não sei. Mas por enquanto é isso, prometo pensar em uma boa continuação. Até porque estou morrendo de curiosidade.

quinta-feira, janeiro 5

E se eu decidi ser feliz...


Ô minha filha, as suas dores não são as maiores do mundo e nem vão ser. Sacode a poeira. Toma um banho de rio. Abre essas asas. Grita alto, chora baixo. Pula alto e cai de cara. Desenha toda a beleza do mundo. Compra uma caixa de lápis de cor e sai aí colorindo a vida.

 Tati Bernardi



Percebi que impor minhas tristezas acima dos meus sorrisos só me ajudará a me convencer que não tenho capacidade de seguir em frente. E desisti nunca foi a melhor escolha. Além de contribuir na retirada da essência da beleza de viver e sonhar. Que um dia tudo se resolve, tudo se encaixa, e aprender de vez que são os caminhos tortos que se cruzam.

Quero o direito de acreditar que é possível
Que o invisível só existe para aqueles que não querem ver
Que meus sonhos só serão realidade
Com a força de vontade que eu posso vencer.

Que o pior ainda não existe
Que qualquer dor por mais que doa um dia passa
O silêncio de um sorriso escondido
É mais bonito quando não disfarça.

Sem me esquecer das lágrimas que derramei um dia
E da agonia que um dia me fez chorar
Mas me deixaram com o coração limpo
Sem mágoas pra recomeçar

E me perdendo pelo caminho
A amargura porque eu errei
Será maior a minha vitória
Só de saber que eu tentei.

Evelyn Dias

terça-feira, janeiro 3

Previsão do tempo: Parte VI Trovões


Eu já estou cansada desse choro sem sentido. Dessas vozes que gritam e ninguém escuta. Do barulho dos seus passos e nunca ser você. Meu coração já não está mais suportando e é difícil no meio dessas tantas falhas acreditar que um dia ainda o terei do meu lado. Não me conformo com os atrasos se não existe nenhuma turbulência capaz de atrapalhar a sua chegada. Pode ser que você tenha errado o caminho, mas não é possível que tenha se perdido em círculos depois de tantos sinais que eu tenho mandado. A culpa talvez deve ser minha, por ter frequentado os lugares errados com as pessoas erradas. Ou por te ficado a maior parte do tempo presa no meu quarto chorando a sua falta quando na verdade eu deveria está lutando para o nosso encontro. São tantas as controvérsias que já não sei mais o que faço, se desisto de vez desse romance ou se continuo alimentando esses capítulos para que no fim eu conclua uma estória nostálgica, e sem o personagem principal. 
Cansei de promessas e até cheguei a acreditar em mudanças de ano novo. Vontades já não são mais suficientes quando trancadas pelo exílio da força de querer continuar lutando. E que de fato, não valha muito a pena ficar na lista de espera, quando seu pedido constata-se que poderá chegar quando tiver 70 anos.

Evelyn Dias

Sermão


E eu te esperei o tempo todo e você não veio. Caso amanhã eu não apareça, é porque fiquei presa no sonho lindo que tive com você. De tanto que dormi na vontade.

Evelyn Dias

segunda-feira, janeiro 2

#pedido


Que os desejos escondidos ou guardados encontrem a fechadura das portas trancadas, para que jamais vivam de vontades insaciáveis.

Evelyn Dias

A imagem linda, foi do blog Pedacinhos de mim.