Páginas

sábado, maio 14

Pra não pensar em você

Escrevo sem pensar, tudo o que o meu inconsciente grita. Penso depois: não só para corrigir, mas para justificar o que escrevi.
[Mário de Andrade]


Pra não pensar em você, esqueci do que sinto de verdade. Pra não sentir saudade e martirizar-me na dor. Parei de observa-me por dentro a chorar cada momento de tanto te querer. Propus-me de algum jeito esquecer, pra não pensar em você quis ser de outra pessoa. Escrever outra história, tentar te tirar da memória pra não enlouquecer. Mas aos poucos que eu tento você me invade em pensamento e tudo que eu quero eu nunca consegui fazer... Não pensar em você...


[Foto tirada do blog de: Lia Araújo]

Evelyn Dias

Metade frágil e instável

Já que ela não era uma pessoa triste, procurou continuar como se nada tivesse perdido. Ela não sentiu desespero. Também o que é que ela podia fazer? Pois ela era crônica. Tristeza era luxo.
[Clarice Lispector]



Eu acredito que na maioria da vezes você chora e muito mais que a maioria não sabe o por que. E fica procurando uma saída trancando-se em um quarto pequeno e escuro. Não consegue pensar em nada e começa a sentir ódio de todo mundo, e dó de você. Não entende os vai-e-vens da vida e quando ela dá o seu revira-volta não ver o vento da esperança passar. Suspira e deseja o fim do mundo, o fim do seu mundo. Porque pra você os outros não interessam, mas no fundo espera que você os interesse. E que em algum instante eles possam sentir a sua falta. Nunca compreende sua tristeza e a verdade é que prefere ficar sozinho ao invés de abraçar alguém. Porque pra você ninguém nunca te entende e só o tempo é capaz de curar aquela dor que alguém criou, por causa de algo ou alguma coisa... Que também você não sabe.

[Foto tirada do blog de: Lia Araújo]

Evelyn Dias

segunda-feira, dezembro 13

Sonho

 

Ele: Eu sonhei com você
 Então ela fica sem jeito.

Ela: Sério? Ah, então, me conta como foi!
Ele: Eu não lembro…
- Silêncio....
Ela: Então como sabe que sonhou comigo?
Ele: Eu acordei feliz.


[Desconheço o autor]

domingo, dezembro 12

Queria ter o conhecido antes


Queria ter o conhecido antes
Para que nenhum de nós
Pudesse sair machucado
E o nosso coração
Completaria um ao outro
Em um só desejo, um só objetivo.
Queria ter o conhecido antes
E não haveria cicatrizes
Não seria só um crime
Amar-te como eu te amo
Seríamos cúmplices de um roubo
Não um furto qualquer
Suspeitos de roubar a felicidade
Com você me refugiaria
Quando a saudade batesse
Me acolheria quando minhas lágrimas
Desejasse ver o mundo aqui fora
E dentro de mim moraria você
Num lugar reservado do meu coração.
Queria ter o conhecido antes
E o nosso beijo na chuva
Seria cenário de uma história sem fim.

Evelyn Dias

"Idiota delirante"




Ninguém nunca entendia o que ela dizia, seus caprichos foram isolados pela ignorância que o destino à transformava.
Vivia ali-acolá, por trás daqueles olhos importunos escondia suas lágrimas dentro de falsos sorrisos.
Certamente sonhava, tinha sonhos como as outras pessoas, mas também tinha medo, medo que tudo acabasse.
Era infeliz ontem, hoje e buscava a felicidade de amanhã. Lá fora esboçava risos e contava as flores, mas não entendia porque dentro de si pulsava a dor de uma revolta devastadora.
Queria ser notada, não mais que os outros, nem humilhada ao ponto de ser ignorada pelo mundo. Porém sua presença não era notada, tampouco sua falta sentida.
Sua vida, embora tão simples era repleta de atitudes tenebrosas, talvez assim conseguiria chamar atenção.
Costumava se classificar como uma "Idiota Delirante" fazia esboço das coisas no papel e do desprezo dos outros recolhia-se na solidão das palavras e nas entrelinhas um sentido pra viver.

Evelyn Dias


Baseado no blog da minha inspiradora Gessy: Flaws and all

Algo que se pareça desabafar...

  
[Foto tirada do blog de: Lia Araújo]

  Ela nunca sabia o que queria de verdade, se o amava ou se afogava no desejo de tê-lo com medo de perder. E vivia de vai-e-vens nas suas lembranças que outrora lhe dava o leito de sobreviver nas suas ilusões.
  Tinha tudo pra ser feliz, mas desfazia das coisas como se fosse fútil aceitar aquela vida que ora lhe dava prazer ora desgosto. Não entendia que é dos erros que se faz um aprendizado, muito menos que perdoar é virtude dos bons.
 Baseado nesses fatos, vivia uma história que era só dela, e guardava isso pra si como se não fosse necessário alguém saber. Eu acreditava no amor dela, que ela sim o amava, o amava de verdade.
 Mas depois do que aconteceu, sumiu minhas falsas suspeitas e desapareceu o desejo de tentar almejar algo que não iria me fazer bem. Encarei meus medos e fui mas longe que a minha coragem, ultrapassei a sinceridade ao ponto de dizer uma verdade que dói. Feri alguém com as palavras que embora verdadeiras pode provocar um ardor imenso no coração de alguém que mentia pra sobreviver ou tentava sobreviver com uma mentira.
 A única coisa que eu penso é que se eu o amasse, largaria tudo e viveria esse amor. Mesmo que morrendo depois, seria o único que poderia me matar. Como dizia "Tão bom morrer de amor e continuar vivendo". Mas há quem pense diferente de mim, há quem prefere passar noites chorando por algo que nem ao menos é seu. Prefere martirizar a dor de quem nem é personagem da história, e assim vira protagonista de uma dor desnecessária. 
E o simples de tudo é que eu ainda consigo falar sobre isso, e tenho capacidade suficiente pra decidir se devo ou não aceitar, que quem perdeu que chore eu quero mais é ser feliz.



Evelyn Dias

segunda-feira, novembro 22

Ser sensível






Essas palavras me definem, cada uma, cada pedaço, é o que sinto dentro de mim! "Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita. Todo dia. Esse jeito de ouvir além dos olhos, de ver além dos ouvidos, de sentir a textura do sentimento alheio tão clara no próprio coração e tantas vezes até doer ou sorrir junto com toda sinceridade. Essa sensação, de vez em quando, de ser estrangeiro e não saber falar o idioma local, de ser meio ET, uma espécie de sobrevivente de uma civilização extinta. Essa intensidade toda em tempo de ternura minguada. Esse amor tão vívido em terra em que a maioria parece se assustar mais com o afeto do que com a indelicadeza. Esse cuidado espontâneo com os outros. Essa vontade tão pura de que ninguém sofra por nada. Esse melindre de ferir por saber, com nitidez, como dói se sentir ferido. Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita. Todo dia. Essa saudade, que faz a alma marejar, de um lugar que não se sabe onde é, mas que existe, é claro que existe. Essa possibilidade de se experimentar a dor, quando a dor chega, com a mesma verdade com que se experimenta a alegria. Essa incapacidade de não se admirar com o encanto grandioso que também mora na sutileza. Essa vontade de espalhar buquês de sorrisos por aí, porque os sensíveis, por mais que chorem de vez em quando, não deixam adormecer a ideia de um mundo que possa acordar sorrindo. Pra toda gente. Pra todo ser. Pra toda vida. Eu até já tentei ser diferente, por medo de doer, mas não tem jeito: só consigo ser igual a mim. 


[Desconheço o autor]